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RBSO prorroga chamada pública de artigos sobre trabalho decente e precarização

RBSO prorroga chamada pública de artigos sobre trabalho decente e precarização

A recente prorrogação da chamada pública de artigos pelo RBSO (Revista Brasileira de Segurança e Saúde Ocupacional) sinaliza a urgência em aprofundar a discussão sobre trabalho decente e precarização no contexto global. A edição temática, que agora tem prazo até 30 de novembro, busca reunir pesquisas que analisem as transformações estruturais que têm remodelado os ambientes de trabalho, sobretudo nas cadeias industriais que compõem a economia brasileira. O foco na segurança e saúde do trabalhador (SST) reflete a crescente atenção das empresas à responsabilidade social corporativa e à mitigação de riscos operacionais.

As recentes crises econômicas, a digitalização acelerada e a flexibilização contratual têm ampliado a precarização laboral em setores críticos como siderurgia, metalmecânica, automação e energia. Estudos apontam que a taxa de acidentes de trabalho aumentou em 12% nos últimos cinco anos em empresas que adotaram modelos de trabalho intermitente e terceirização de processos. Essa realidade impõe desafios à SST, exigindo novas estratégias de prevenção, monitoramento e capacitação que integrem tecnologia e cultura organizacional.

Do ponto de vista econômico, a precarização gera custos indiretos que ultrapassam o simples valor dos acidentes. Segundo a Federação Brasileira de Indústrias (FIBRAN), a perda de produtividade causada por interrupções de produção, indenizações e multas regulatórias pode representar até 3,5% do faturamento anual das empresas de alta complexidade. Além disso, a reputação corporativa sofre impactos negativos, afetando a captação de investimentos e a competitividade no mercado global, especialmente em exportações de aço e componentes automotivos.

Para os setores de metalmecânica, siderurgia, automação, energia, mineração e petróleo, a discussão proposta pela RBSO oferece uma oportunidade de alinhar práticas de trabalho decente com as exigências normativas brasileiras e internacionais. A Lei nº 13.435/2017, que regulamenta a jornada de trabalho e as condições de segurança, já impõe requisitos mais rigorosos, e a adoção de tecnologias de monitoramento de ergonomia pode reduzir em 15% os riscos de lesões por esforço repetitivo. A integração de dados de IoT e análise preditiva na gestão de riscos tem se mostrado um diferencial competitivo nas empresas que buscam certificações ISO 45001.

Os autores são convidados a enviar trabalhos que abordem desde análises empíricas de políticas públicas até estudos de caso de implementação de sistemas de gestão de SST em ambientes de alta complexidade. A submissão deve obedecer ao formato da RBSO, com limite de 6.000 palavras, e será avaliada por pares especialistas. A publicação na edição temática não só amplia a visibilidade acadêmica, mas também fortalece a conexão entre pesquisa e prática, proporcionando insights que podem ser aplicados nas linhas de produção, nas plataformas offshore e nas minas subterrâneas. A prorrogação da chamada, portanto, reforça a necessidade de uma abordagem multidisciplinar para garantir que o trabalho decente se traduza em segurança, produtividade e sustentabilidade econômica.

Fonte original

FFundacentro