Redução da Selic é vista como avanço econômico pela FIEMG, apesar de juros ainda restritiv

A redução da taxa Selic em 0,25 ponto percentual, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta‑feira (17/6), trouxe alívio imediato ao setor industrial brasileiro, sobretudo para as cadeias de valor de metalmecânica, siderurgia e mineração que dependem fortemente de crédito de curto prazo. Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), a nova Selic de 14,25% representa “um passo importante para a retomada da atividade econômica”, ao mesmo tempo em que mantém um ambiente de juros ainda restritivo, o que impede uma recuperação plena e acelerada.
Para as empresas de metalurgia e automação, a queda da taxa básica tem efeito direto sobre o custo do capital de giro e dos investimentos em novos projetos. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que, nos últimos 12 meses, 62% das indústrias de transformação recorreram a linhas de crédito rotativo com taxas atreladas ao CDI, que acompanha a Selic. A redução de 25 pontos básicos pode gerar uma economia média de 0,7% ao ano nos encargos financeiros, o que equivale a cerca de R$ 1,2 bilhão em menores custos para o conjunto das indústrias de Minas Gerais, um dos principais polos metalúrgicos do país.
No entanto, o cenário ainda é de cautela. A FIEMG ressalta que a Selic continua em patamar “restritivo”, acima dos níveis considerados acomodativos (geralmente abaixo de 10%). Essa postura reflete a necessidade de conter a inflação, que ainda registra 4,2% ao ano, acima da meta de 3,0% estabelecida pelo Banco Central. O risco de nova alta de juros permanece latente, sobretudo se os indicadores de preço ao consumidor e ao produtor não apresentarem moderada desaceleração nos próximos trimestres.
Do ponto de vista macroeconômico, a política monetária mais branda pode estimular a demanda interna, impulsionando a compra de máquinas e equipamentos de produção. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) projeta que o investimento em bens de capital deve crescer 3,8% em 2026, acima da média dos últimos cinco anos. Esse incremento beneficiará diretamente os fabricantes de componentes metalúrgicos, sistemas de automação e soluções de energia para indústrias, que já vêm registrando aumento nas encomendas devido à recuperação de setores como construção civil e energia renovável.
Entretanto, a perspectiva de crédito mais barato também traz desafios para o planejamento financeiro das empresas. A necessidade de revisar modelos de precificação, renegociar contratos de fornecimento e ajustar políticas de estoque será crucial para transformar a redução da Selic em ganhos reais de competitividade. Analistas do mercado de capitais apontam que, se a taxa permanecer estável nos próximos seis meses, o EBITDA médio das empresas siderúrgicas pode subir entre 2% e 4%, impulsionado por menores despesas financeiras e por um ambiente de preços de commodities mais favorável.
Em Minas Gerais, onde a FIEMG tem forte representatividade, a expectativa é que a redução da Selic favoreça a retomada de projetos de expansão em usinas de fundição e de usinas de energia térmica, que dependem de financiamentos de longo prazo. O Conselho de Desenvolvimento Econômico de Minas (CDEM) estima que novos investimentos de até R$ 15 bilhões podem ser viabilizados até o fim de 2026, caso a política monetária continue a oferecer um “caminho de juros moderadamente baixos”, sem abrir mão da contenção inflacionária.
Por fim, a FIEMG alerta que a sustentabilidade do crescimento dependerá da capacidade do governo e do Banco Central de equilibrar a contenção da inflação com estímulos ao crédito. A combinação de juros ainda restritivos, porém mais baixos, com políticas fiscais prudentes pode criar um ambiente propício para que a indústria metalúrgica brasileira recupere sua competitividade internacional, aumente a geração de empregos qualificados e consolide investimentos em inovação e automação, pilares essenciais para o futuro do setor.
Fonte original
FFIEMG