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Reforma tributária domina preocupações de executivos brasileiros, revela EY

Reforma tributária domina preocupações de executivos brasileiros, revela EY

Em meio a um cenário de incertezas fiscais, a reforma tributária tem se destacado como a principal preocupação dos executivos brasileiros, de acordo com um estudo recente da EY divulgado pela Exame. A pesquisa, que contou com a participação de mais de 1.200 líderes de empresas de médio e grande porte em diversos setores, revelou que 68% dos respondentes classificam a reforma como a maior ameaça ao ambiente de negócios no país.

Para profissionais da metalmecânica, siderurgia e setores correlatos, a discussão sobre a simplificação e a eventual consolidação de tributos federais, estaduais e municipais pode acarrelar mudanças significativas nos custos de produção. A taxa de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) já gira em torno de 15% para a maioria dos produtos metálicos, enquanto o PIS/COFINS, em regime cumulativo, pode chegar a 9,25% em determinadas linhas de produção. Uma revisão desses regimes poderia elevar ou reduzir esses encargos, alterando a competitividade das empresas no mercado interno e externo.

O estudo da EY apontou que 43% dos executivos acreditam que a reforma poderá aumentar a carga tributária, enquanto 22% esperam uma redução, sobretudo em setores com forte demanda exportadora. Na prática, isso se traduz em projeções de aumento de 2,5 a 4,0% nos custos de produção para as empresas de metalmecânica, o que pode se refletir em preços finais mais altos e em menor margem de lucro.

Além do impacto direto nos custos, a reforma tem potencial para alterar a dinâmica de investimentos no país. A previsibilidade fiscal é um dos principais fatores que influenciam a decisão de expandir linhas de produção, instalar novas tecnologias de automação e investir em inovação. A incerteza sobre a eventual estrutura de alíquotas e a composição dos tributos pode atrasar projetos de modernização, especialmente em regiões com maior carga tributária, como o Sul e o Sudeste.

No cenário internacional, a competitividade do Brasil em relação a países com regimes tributários mais estáveis, como a Alemanha e a China, pode se ver comprometida. Dados do Banco Mundial indicam que a carga tributária sobre o PIB brasileiro permanece em 24,5%, acima da média dos principais concorrentes do setor de siderurgia. A reforma tributária, portanto, é vista como uma oportunidade de reduzir essa lacuna, mas a forma como será implementada determinará se o resultado será positivo ou negativo para o setor.

Para mitigar riscos, especialistas recomendam que as empresas revisem suas estratégias de planejamento tributário, invistam em consultorias especializadas e mantenham diálogo constante com órgãos reguladores. A adaptação proativa pode ser a chave para transformar a incerteza em oportunidade de otimização de custos e fortalecimento da posição competitiva no mercado global.

Fonte original

EExame