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Selic a 13,75% ainda impõe freio ao investimento e à indústria, diz FIEMG

Selic a 13,75% ainda impõe freio ao investimento e à indústria, diz FIEMG

Em comunicado recente, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) reafirmou que, apesar da redução da taxa básica de juros do Banco Central para 13,75 % ao ano, o custo de captação continua elevado o suficiente para frear o investimento e a expansão industrial. A FIEMG destaca que a Selic ainda se mantém em patamar restritivo, encarecendo o crédito e adiando decisões estratégicas de crescimento em diversos setores.

A elevação persistente da Selic impacta diretamente o custo do capital para as indústrias, especialmente nas áreas de metalmecânica, siderurgia e automação, onde a dependência de financiamento de longo prazo é significativa. Os juros altos aumentam as parcelas de financiamentos bancários, reduzem a margem de lucro e pressionam as empresas a priorizar projetos de curto prazo em detrimento de investimentos em tecnologia e capacidade produtiva.

Segundo dados do Banco Central, a taxa média de juros sobre empréstimos corporativos no Brasil se manteve em torno de 15 % ao ano, acima do nível de 12 % que a maioria dos analistas considera moderado. Esse cenário se traduz em um custo de capital mais elevado, que, aliado à inflação persistente, eleva o custo de produção e reduz a competitividade internacional das empresas brasileiras, especialmente nas exportações de aço e componentes automotivos.

Para as empresas do estado, a alta nos juros tem se traduzido em atrasos em projetos de expansão e modernização. Um levantamento recente da FIEMG revelou que 62 % das indústrias que planejavam investimentos acima de R$ 50 milhões em 2024 tiveram que adiar ou reduzir esses planos. A falta de recursos de baixo custo impede a adoção de novas tecnologias de automação e robótica, que são cruciais para manter a produtividade e a competitividade no mercado global.

O efeito sobre a economia de Minas Gerais é palpável. A desaceleração dos investimentos industriais contribui para a queda na produção industrial do estado, que registrou um declínio de 1,8 % no trimestre que antecedeu a última reunião do Copom. A diminuição da atividade gerou desemprego em setores-chave, como mineração e siderurgia, e reduziu a arrecadação tributária, comprometendo a capacidade de investimento em infraestrutura e serviços públicos.

Apesar do cenário adverso, a FIEMG observa sinais de que o Banco Central pode iniciar um ciclo de cortes graduais nas próximas reuniões, caso a inflação continue a se moderar. Enquanto isso, as indústrias são aconselhadas a buscar alternativas de financiamento, como linhas de crédito de menor custo oferecidas por bancos públicos e a participação em programas de incentivo fiscal. A adoção de estratégias de gestão de risco de juros e a busca por fontes de financiamento externas podem mitigar parcialmente os impactos da Selic elevada e permitir que o setor industrial brasileiro mantenha sua trajetória de crescimento e inovação.

Fonte original

FFIEMG