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Tarifaço muda estratégia de empresas brasileiras que vendem aos EUA

Tarifaço muda estratégia de empresas brasileiras que vendem aos EUA

O recente ajuste na política tarifária dos Estados Unidos, que ampliou as tarifas sobre produtos de aço e alumínio, tem forçado empresas brasileiras de metalurgia a revisar suas estratégias de exportação. A medida, que entrou em vigor em março de 2024, aumentou a taxa de 7,5% para 25% em determinados produtos, refletindo a preocupação do governo norte‑americano com a concorrência de materiais de baixo custo provenientes de países como China, Índia e Brasil.

Para os exportadores brasileiros, o impacto imediato foi a elevação dos custos de exportação e a redução da competitividade nos mercados norte‑americanos. Dados do Ministério da Economia indicam que o valor das exportações de aço bruto da região Sudeste caiu 12% no primeiro trimestre de 2024 em comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto as exportações de alumínio bruto despencaram 18%. Essas quedas coincidem com a queda de 8,3 milhões de toneladas de aço exportado para os EUA no mesmo período, um volume que representa cerca de 15% das exportações totais de aço do país.

Em resposta, as empresas têm adotado uma série de medidas estratégicas. Entre elas, a diversificação de mercados, com foco em clientes na América Latina, Caribe e na Europa, a intensificação da produção de produtos de alto valor agregado – como chapas de aço de alta resistência e peças de alumínio de engenharia – e o fortalecimento de parcerias com fornecedores de componentes de tecnologia avançada. Além disso, muitas empresas estão investindo em processos de certificação de qualidade e em sistemas de rastreamento de cadeia de suprimentos para atender às exigências de mercado americano que exigem transparência e sustentabilidade.

O efeito econômico desses ajustes se reflete também nas margens de lucro das empresas do setor. Segundo relatórios da Associação Brasileira de Metalúrgicos (ABM), a margem média de lucro em 2023 foi de 9,4%, mas a projeção para 2024, considerando as tarifas americanas, aponta uma queda de 2,1 pontos percentuais, se não houver compensação por novas oportunidades de mercado. A inflação no custo de matéria-prima, que já havia subido 3,5% no último trimestre, pode agravar ainda mais a situação, exigindo ajustes nos preços de venda e renegociação de contratos de longo prazo.

O cenário também abre espaço para a renegociação de acordos comerciais bilaterais. Em 2024, a Câmara de Comércio Brasil‑EUA iniciou negociações para a redução das tarifas sobre aço e alumínio, buscando um acordo que beneficie ambas as partes. Se um acordo for alcançado, as empresas brasileiras poderiam recuperar parte da competitividade perdida, mas ainda assim precisarão manter estratégias de diferenciação para sustentar suas margens.

Perspectivas de mercado apontam para um período de adaptação. A expectativa é que, até o fim de 2025, o mercado norte‑americano reavalie as tarifas à luz da pressão de consumidores e de setores industriais que dependem de insumos metálicos de qualidade. Enquanto isso, os exportadores brasileiros devem continuar investindo em inovação, eficiência operacional e na expansão de suas cadeias de valor, a fim de mitigar os efeitos das tarifas e garantir a sustentabilidade de seus negócios no cenário global.

Fonte original

EExame