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Tarifas EUA afetam indústria

Tarifas EUA afetam indústria

Em reunião ordinária realizada na quinta‑feira (9/7), o Conselho de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) analisou os potenciais efeitos de novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos sobre produtos de origem brasileira, com foco especial nos setores de metalmecânica, siderurgia, automação, energia, mineração e petróleo. A discussão contou com a presença de executivos de grandes empresas, representantes do governo estadual e especialistas em comércio exterior, que buscaram mapear os riscos de perda de competitividade e identificar estratégias de mitigação.

Os participantes destacaram que, caso as tarifas sejam efetivadas, os custos de exportação de bens como aço laminado, máquinas-ferramenta e componentes de automação podem subir de 10% a 30%, dependendo da classificação tarifária adotada pelos EUA. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) indicam que as exportações brasileiras desses produtos para o mercado norte‑americano somaram US$ 2,4 bilhões em 2023, representando cerca de 12% do total das vendas externas do segmento. Uma elevação de 15% nas tarifas poderia reduzir a receita em aproximadamente US$ 360 milhões, pressionando margens já estreitas devido ao aumento dos preços de insumos como minério de ferro e energia elétrica.

Além do impacto direto nas exportações, o Conselho alertou para efeitos colaterais na cadeia de suprimentos. Empresas brasileiras que dependem de insumos importados dos EUA, como equipamentos de controle eletrônico e softwares de automação industrial, podem enfrentar custos adicionais que se reverberam nos preços finais dos produtos manufaturados. O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) estima que a elevação dos custos de importação de componentes críticos pode elevar o custo de produção de máquinas-ferramenta em até 8%, reduzindo a competitividade frente a concorrentes europeus e asiáticos que não sofrerão de tarifas semelhantes.

Do ponto de vista macroeconômico, a FIEMG ressaltou que a perda de competitividade pode comprometer a geração de empregos qualificados no estado. O setor metalmecânico de Minas Gerais emprega cerca de 120 mil trabalhadores diretos, e um recuo nas exportações pode levar a demissões ou à postergação de investimentos em expansão de capacidade. A Federação calculou que, para cada 1% de redução nas exportações, o PIB estadual pode ser impactado em R$ 150 milhões, refletindo não só na produção industrial, mas também nos serviços de apoio logístico e financeiro.

Em contrapartida, o Conselho apontou possíveis estratégias de mitigação. A diversificação de mercados tem sido citada como prioridade, com ênfase em acordos comerciais na América Latina e na União Europeia, onde as tarifas permanecem estáveis. Além disso, a adoção de tecnologias de automação avançada e a modernização de processos produtivos são vistas como meios de melhorar a produtividade e compensar o aumento de custos. Estudos internos da FIEMG sugerem que investimentos em Indústria 4.0 podem elevar a eficiência operacional em até 12%, amortizando parcialmente o efeito das tarifas.

Por fim, a FIEMG solicitou ao Ministério da Economia a revisão de políticas de apoio à exportação, como linhas de crédito específicas e garantias de seguro‑cobertura contra riscos tarifários. O Conselho também propôs a criação de um grupo de trabalho permanente para monitorar a negociação comercial entre Brasil e EUA, de modo a oferecer respostas ágeis aos membros da indústria. A expectativa é que, com medidas coordenadas, o setor possa preservar sua competitividade internacional e sustentar o crescimento econômico de Minas Gerais nos próximos anos.

Fonte original

FFIEMG