Voltar às notícias
TecnologiaBrasil

Vallourec ampliará produção na usina do Barreiro com tecnologia inédita

Vallourec ampliará produção na usina do Barreiro com tecnologia inédita

A Vallourec, empresa francesa reconhecida como uma das líderes globais em soluções tubulares premium, anunciou a expansão de sua capacidade produtiva na unidade industrial do Barreiro, em Belo Horizonte. A iniciativa prevê a instalação de uma linha de produção dedicada ao cleanwell, um revestimento livre de graxa que será aplicado nas conexões de tubos, substituindo os tradicionais compostos de armazenamento e montagem. O projeto, que deve iniciar as obras ainda neste trimestre, representa um investimento significativo em tecnologia de ponta, alinhado à tendência de redução de contaminantes e aumento da eficiência operacional nas cadeias de suprimentos da indústria metalúrgica e de energia.

Para o setor industrial brasileiro, a implantação do cleanwell traz um avanço técnico relevante. O revestimento livre de graxa elimina a necessidade de manutenção periódica de lubrificantes, reduzindo o risco de contaminação de fluidos transportados e simplificando o processo de montagem de linhas de tubulação em usinas siderúrgicas, petroquímicas e de geração de energia. Além disso, a tecnologia permite a reutilização de conexões já instaladas, diminuindo o tempo de parada de plantas e, consequentemente, os custos de parada não planejada, que segundo a Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria (ABEC), podem chegar a 0,5% do faturamento anual de grandes indústrias.

Do ponto de vista econômico, a expansão da Vallourec no Brasil deverá gerar impactos positivos no PIB industrial da região Sudeste. Estima-se que o investimento total na nova linha de produção ultrapasse R$ 250 milhões, com a criação de aproximadamente 300 empregos diretos e a movimentação de cerca de 1,2 mil empregos indiretos ao longo da cadeia de suprimentos local, envolvendo fornecedores de aço, serviços de engenharia e logística. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que cada R$ 1 milhão investido em projetos de alta tecnologia no setor metalomecânico pode gerar até R$ 5 milhões em valor agregado ao PIB.

Além dos benefícios econômicos imediatos, a adoção do cleanwell está alinhada com as metas de sustentabilidade estabelecidas pelo Plano Nacional de Energia (PNE) e pelos compromissos de redução de emissões da indústria brasileira. A eliminação de graxas à base de petróleo diminui a emissão de compostos orgânicos voláteis (COVs) e reduz a geração de resíduos perigosos, contribuindo para o cumprimento das exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). A Vallourec, ao lançar essa tecnologia no país, reforça seu posicionamento como fornecedora de soluções ambientalmente responsáveis, atendendo à crescente demanda de clientes que buscam certificações ISO 14001 e metas de carbono neutro até 2050.

O mercado de tubos premium no Brasil tem apresentado crescimento robusto, impulsionado principalmente pelos setores de energia renovável, como parques eólicos e solares, que demandam tubulações de alta resistência e baixa manutenção. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Óleos e Gás (ABIOG), a demanda por tubos com revestimento avançado deve crescer 8% ao ano até 2030. A nova linha da Vallourec, ao oferecer um produto livre de graxa, posiciona-se como solução estratégica para esses projetos, que exigem alta confiabilidade e menores custos operacionais ao longo do ciclo de vida dos ativos.

Perspectivas para os próximos anos indicam que a Vallourec pode ampliar ainda mais sua presença no mercado interno, considerando a possibilidade de exportar o cleanwell para países vizinhos da América Latina, onde a demanda por tecnologias de tubulação limpa também está em ascensão. Analistas do mercado de capitais veem a expansão como um fator de valorização das ações da empresa na bolsa de valores de Paris, bem como um estímulo à competitividade das indústrias brasileiras, que passam a contar com soluções de alta tecnologia produzidas localmente, reduzindo a dependência de importações e fortalecendo a cadeia de valor nacional.

Fonte original

DDiariodocomercio Br