Zema classifica medidas do governo como aberração eleitoral e oportunismo político

Durante uma visita à cidade de Varginha, Minas Gerais, o ex-governador Geraldo Alckmin Zema, agora candidato à presidência, descreveu as medidas adotadas pelo governo federal como “aberração eleitoral” e “oportunismo político”. Em discurso dirigido a empresários e lideranças locais, ele criticou a postura do atual governo em relação a políticas que, segundo ele, distorcem os critérios técnicos e econômicos de governança, sobretudo no que tange às indústrias de base e de alta tecnologia.
Segundo Zema, a maior preocupação recai sobre as recentes alterações na tributação industrial, que incluem aumentos nas alíquotas do PIS/Cofins e ajustes na base de cálculo do ICMS para setores estratégicos como siderurgia, automação e mineração. Ele alega que tais mudanças, aplicadas sem a devida consulta a especialistas e sem estudos de impacto, comprometem a competitividade das empresas brasileiras, elevando os custos de produção e reduzindo a margem de lucro das indústrias de alta complexidade.
Para os setores metalúrgico e de mineração, o efeito imediato tem sido a elevação do custo de matéria-prima e da energia elétrica, já que as tarifas reguladas foram reajustadas em paralelo às novas exigências tributárias. A indústria automotiva, que depende fortemente de componentes metálicos e de sistemas de automação avançada, relata que a margem de contribuição já estava sob pressão, e os novos encargos fiscais podem levar a um aumento de 2% a 4% nos preços finais dos veículos, prejudicando a competitividade no mercado interno e externo.
Os indicadores econômicos reforçam a preocupação: o Índice de Produção Industrial (IPI) registrou queda de 1,2% no último trimestre, enquanto o Purchasing Managers' Index (PMI) brasileiro se situou em 55,5, abaixo da média histórica de 60, sinalizando desaceleração na atividade. Além disso, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Econômico (FNDE) prevê que o investimento privado em infraestrutura de energia pode cair 10% no próximo ano se as medidas atuais forem mantidas, impactando diretamente os projetos de expansão de usinas de hidrogênio e de redes elétricas para a indústria.
Especialistas do setor apontam que a volatilidade fiscal pode desencadear uma reação em cadeia de ajustes operacionais, como a migração de produção para regiões com menor carga tributária ou a intensificação de investimentos em tecnologias de eficiência energética. A perspectiva de aumento de 5% no custo de produção até 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), pode levar as empresas a renegociar contratos internacionais e a reduzir a participação em licitações de projetos de infraestrutura de grande porte.
Em meio a esse cenário, a indústria demanda um diálogo estruturado entre governo, academia e setor privado para definir políticas públicas que equilibram arrecadação e competitividade. Caso as medidas apontadas por Zema sejam adotadas sem ajustes técnicos, o Brasil corre o risco de perder posições de liderança em cadeias de valor globais, especialmente nas áreas de automação, energia e mineração, setores críticos para a consolidação de um mercado industrial mais resiliente e sustentável.
Fonte original
IInfoMoney
